Centro Desportivo Nacional do Jamor



História

Em 3 de dezembro de 1933, delegados de clubes, associações e federações desportivas, que se haviam reunido num congresso para debater a realidade desportiva nacional (Congresso dos Clubes Desportivos), solicitaram ao Governo de então um conjunto de medidas para dinamizar e melhor organizar a prática desportiva a nível nacional, de entre as quais se destaca a proposta para a construção de um grande estádio em Lisboa.

Mais do que a construção de um estádio, tornava-se necessário edificar um equipamento multidesportivo, que seria simultaneamente um parque de recreio, um espaço para a prática competitiva de várias modalidades e um lugar para o espectáculo desportivo, que pudesse acolher muitos milhares de pessoas.

O concurso para a elaboração do projecto de um grande complexo desportivo e para a valorização do vale do rio Jamor, bem como a integração de um conjunto de instalações desportivas, foi publicado por portaria de 1 de março de 1934, que criou a Comissão Administrativa das Obras do Estádio de Lisboa.

Este concurso previa a ligação do complexo à marginal e à nova auto-estrada, a primeira do país e da península ibérica, bem como a ligação ao centro da cidade através do eléctrico e combóio. 

Os graus de apuramento do concurso foram estipulados em duas fases de apresentação de propostas, A 1.ª fase do concurso consistia na apresentação de um plano geral, com indicação das circulações, acessos e alçados do Estádio. A 2.ª fase previa o desenvolvimento de todos os projectos em definitivo.

 Estádio

Os arquitectos responsáveis pelo projecto inicial do estádio, edifício centralizador de todo o complexo desportivo, foram Konrad Wiesner, Miguel Simões Jacobetty Rosa e Francisco Caldeira Cabral (Arquitecto Paisagista). 

A “Memória Descritiva do Projeto Definitivo das Bancadas do Estádio de Atletismo”, como então se referia ao estádio, foi assinada por Konrad Wiesner e Caldeira Cabral, sendo datada de 14 de outubro de 1939. Viria a tratar-se do primeiro grande estádio completamente construído em escavação numa depressão natural do terreno. É idealizado inteiramente em pedra, à semelhança dos teatros gregos da antiguidade.

O ano inicialmente previsto para a inauguração era 1940, dado que marcava dois centenários: os 800 anos de nacionalidade e os 300 de independência (ano em que ocorreu a Exposição do Mundo Português, entre 23 de junho e 2 de dezembro de 1940).

A inauguração viria no entanto apenas a ocorrer no dia 10 de junho de 1944, numa cerimónia em que estiveram presentes mais de 50.000 espectadores e cerca de 12.000 participantes. 

Para além do Estádio, a Tribuna, a Praça da Maratona e o edifício dos serviços administrativos foram também concluídos em 1944.

Tribuna 

O primeiro troço de auto-estrada construído em Portugal, inaugurado também em 1944, veio permitir uma ligação rápida entre o centro de Lisboa e o Estádio Nacional. 

Coincidiu também com a inauguração do Estádio a inauguração do ramal ferroviário que o ligava a estação da Cruz Quebrada, na Linha de Cascais. Os edifícios da estação situavam-se no local onde hoje existe o Complexo de Piscinas do Jamor.

Estação Jamor 

As zonas verdes foram consideradas de elevada importância. Num espaço em que, como em Monsanto, quase não existiam árvores, foram plantadas 500.000 árvores e arbustos, entre pinheiros, cedros, faias, choupos, relvados e centenas de qualidades de flores, que deram origem a bosques, jardins e viveiros de plantas decorativas que ainda hoje caracterizam o vale do Jamor.

O Centro de Treino de Ténis, inaugurado em 10 de junho de 1945, e projectado por Jacobetty Rosa, foi considerado por muitos jogadores de elite com o mais belo campo de ténis do mundo.

Centro de Ténis 

Em 1960 verifica-se a ampliação do Centro de Treino de Ténis e a existência de mais campos de jogos, nomeadamente a pista de atletismo.

Em 1982 regista-se a construção de mais equipamentos, dos quais se destacam 3 novos campos de jogos, um relvado informal, uma nova ampliação do Centro de Treino de Ténis, a carreira de tiro e o respectivo edifício de apoio. Surgem também nessa altura os edifícios do Centro de Estágios, os lares de estudantes da Faculdade de Motricidade Humana e o alojamento do Centro de Alto Rendimento.

Carreira de Tiro 

Em 1999 surgem o driving range e o edifício de apoio ao golfe, os campos de râguebi, a pista de cross, a piscina olímpica, o Pavilhão dos Esteiros (FMH), as ilhas do Parque Urbano do Jamor, a pista de atividades náuticas e o respectivo edifício de apoio, tendo ainda sido alterado o percurso da ribeira do Jamor, no seu trecho terminal. 

Piscina e PAN  

Já neste século, são inaugurados o campo de tiro com arco, a nave de atletismo, o campo de golfe de 9 buracos, o minigolfe, o ginásio ao ar livre, o parque aventura, a parede de escalada, o espaço de jogo e recreio e os campos de ténis cobertos. 

CAR Atletismo e Minigolfe 

Funcionam no Jamor os Centros de Alto Rendimento para praticantes desportivos de alta competição/seleções nacionais das modalidades de ténis, atletismo, râguebi, tiro com arco e golfe.

Existe também uma Unidade de Controlo de Treino que tem por missão a avaliação e o controlo do processo de treino que permita aos praticantes potenciar o seu rendimento desportivo. Esta unidade dispõe de uma sala de exercício e de uma sala de treino em altitude.

Atualmente, prossegue o esforço de reordenação do Complexo Desportivo do Jamor, com a valorização e modernização do património existente, sempre na perspetiva de uma utilização acessível a todos, dos praticantes desportivos de alta competição ao cidadão comum, nas vertentes desportiva, recreativa e de lazer.


Inauguração do Estádio Nacional em 1944 (parte 1)

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Inauguração do Estádio Nacional em 1944 (parte 2)

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Jamor em Livro

Estádio Nacional... 62 anos depois

Título: ESTÁDIO NACIONAL ... 62 anos depois 

Autor: Fernando Correia 

Editora: Sete Caminhos (2006) 

Descrição: Dos primeiros projetos, à conjuntura da época, passando pelo presente e apresentando os desafios do futuro. Um livro de consagração ao Centro Desportivo Nacional do Jamor, escrito pelo jornalista Fernando Correia.

 

O Estádio Nacional. Um paradigma da Arquitectura do Desporto e do Lazer 

Título: O ESTÁDIO NACIONAL. Um paradigma da Arquitectura do Desporto e do Lazer 

Autores: Teresa Andresen, António Costa Pinto, Ana Tostões, Rodrigo Dias, Jorge Paulino Pereira, Manuela Hasse, Vasco Martins Costa 

Editora: Câmara Municipal de Oeiras (2007)

Descrição: Compilação das reflexões que resultaram da Conferência "O Estádio Nacional - Um paradigma da Arquitectura do Desporto e do Lazer", inserida nas Jornadas Europeias do Património.

 

Jamor - O Palco Maior do Desporto Português 

Título: JAMOR - O Palco Maior do Desporto Português 

Autores: Ana Semblano, André Cruz, Anne Stroobant, Carla Santo, Carlos Guardado da Silva, David Frier, Diogo Guia, Júlio Cardoso, Marco Filipe, Ricardo Serrado, Teresa Andersen, Zulmira Fonseca

Editora: INCM, MND, IPDJ (2014)

Descrição: Livro comemorativo dos 70 anos do Centro Desportivo Nacional do Jamor.  

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